A leitura do acórdão está agendada para as 14:30 na 7.ª Vara Criminal de Lisboa, após um primeiro adiamento ocorrido a 15 de novembro justificado na ocasião pelo coletivo de juízes com a "alteração não substancial dos factos constantes da acusação". .O adiamento provocou desagrado a parte dos dez arguidos detidos preventivamente e a alguns dos cerca de 30 familiares e amigos dos suspeitos que lotaram a sala de audiências..Segundo a acusação do Ministério Público (MP), o grupo, constituído por jovens, terá cometido dezenas de assaltos e roubos "violentos" a residências, estabelecimentos comerciais, restaurantes e turistas, entre março de 2011 e fevereiro de 2012, causando "grande perturbação da ordem e segurança públicas"..Para o MP, os 19 arguidos "agiriam de forma concertada, levando a cabo diversos ilícitos contra o património de terceiros, mantendo sob terror a população local"..Grande parte dos arguidos residia no bairro de Alfama e, dado o número de elementos do grupo e a forma violenta da sua atuação, "criavam um ambiente de medo na zona", acrescenta a acusação..O MP sustenta que os arguidos "utilizavam técnicas de imobilização suscetíveis de provocar lesões aos ofendidos", possuindo alguns deles "conhecimentos e técnicas de uma arte marcial"..A atividade criminosa do alegado "gangue de Alfama" terá cessado em março de 2012, após o juiz de instrução criminal ter aplicado a medida de coação de prisão preventiva a seis dos principais arguidos e a prisão domiciliária a outros dois elementos..Na ocasião, fonte da PSP disse à agência Lusa que alguns dos detidos eram suspeitos da autoria de vários sequestros em que retiravam os cartões multibanco às vítimas, obrigando-as a fornecer o código do cartão para posteriormente levantarem dinheiro em caixas ATM..Enquanto alguns elementos do grupo procediam aos levantamentos de dinheiro, outros mantinham as vítimas presas "sob ameaças de morte e agressões físicas"..Segundo a PSP, os comerciantes vítimas do grupo eram coagidos a fazer entregas de dinheiro e sujeitos a perseguições, o mesmo acontecendo às suas famílias..Os suspeitos terão conseguido furtar mais de 11 mil euros em equipamentos eletrónicos (telemóveis e máquinas fotográficas), em tabaco, em bebidas alcoólicas e em dinheiro.